Apesar de já se ter ouvido há muito e parecer contraditório, muitas vezes esquecemos que a morte faz parte da vida. Nossa sociedade (ocidental, ao contrário de muitas outras do lado do mundo) sempre valorizou (e ainda valoriza, de maneira até um tanto exacerbada) a vida, seja lá o que se compreenda dela.
Desde pequenos somos acostumados e incentivados à ideia de sempre valorizar a vida em detrimento da morte, esta sempre associada à ideia de algo negativo e até mesmo apavorante, uma vez que por a desconhecermos, tememos o que ela possa ser (sempre tememos o desconhecido). Alguém já presenciou uma pessoa mais velha tentando explicar a morte à uma criança pequena, seja quando esta questiona o que aconteceu com seu bicho de estimação ou aquela plantinha que estava no vaso? Muitas vezes, mesmo que de forma lúdica, há sempre um desvio de atenção pois dizemos que o bichinho foi para o céu (?) o que a planta estragou (!). Porque não aproveitar essa mesma forma lúdica para dizer a verdade à criança e acostumá-la à real compreensão do enunciado?
A compreensão do que venha a ser conceituado ou definido como vida é, de fato, muito complexa, por vezes por envolver uma série de ideologismos. O fato é que não se trata apenas de uma mera questão biológica, mas também de ordem social. Em seus discursos, a própria medicina adota um moralismo sobre essa ideia, o qual se resume a valorizar a condição vívica em quaisquer circunstâncias, mesmo desprezíveis em quase mortis. É por causa desse sentido que a questão da eutanásia é tão polêmica. No contexto social, a vida é muito mais difícil de ser explicada do que no sentido biológico. Não se trata apenas de quando e como ela se inicia, mas de seu desenvolvimento a partir dessa compreensão. Afinal, o que é um ser humano do ponto de vista social? O que torna um ser um humano? Ser um humano significa o quê? Comportamentos, valores, crenças, atitudes também deve fazer parte dessa caracterização.
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