Por exemplo, a questão do QI e sua influência na sociedade seria um tema aparentemente interessante, mas não se pode falar sobre isso. Então a maioria dos que escrevem sobre o tema precisam recorrer a pseudónimos e à Internet. Um desses heróis anônimos é "La Griffe du Lion", uma das pessoas mais inteligentes da Internet. Ele tem uma série de artigos interessantes sobre essa questão, mas naturalmente são ignorados por quase todo mundo.
O blogueiro Half Sigma tem um contraponto interessante: ele acha que, na sociedade capitalista pós-industrial do Primeiro Mundo, graças à tecnologia que superou a força de trabalho manual, uma pequena parte de pessoas pode produzir uma imensa quantidade de riqueza. Tal riqueza sustenta todo um país. Porém, o aspecto negativo disso é que gera-se uma quantidade imensa de improdutivos, que a longo prazo (e auxiliados pelo sistema que beneficia os dependentes do welfare) reproduzem-se em maior número do que os criadores de riqueza.
Sua teoria é que, em breve, robôs e computadores poderão desempenhar de modo mais eficiente as tarefas que os mexicanos ilegais desempenham hoje nos EUA, portanto também estes trabalhadores se tornarão inúteis. A solução do blogueiro, algo bizarra, é pagar às pessoas para que fiquem em casa jogando videogame. (Continuam improdutivos, mas ao menos não estão lá fora cometendo crimes!)
Porém, o pensamento das elites globais vai na outra direcção. Por exemplo, ao mesmo tempo em que importam populações de imigrantes do terceiro mundo para trabalhos manuais em vias de extinção, aumentam o número de pessoas que ingressam na universidade. A ideia, a princípio nobre, é que o ensino universitário tornaria as pessoas mais aptas a trabalhos de qualidade intelectual superior. Se todos tivessem de nascença a mesma capacidade, isso provavelmente seria verdade.
A verdade, lamentavelmente, é que nem todas as pessoas estão aptas para um ensino universitário de alto nível. Simplesmente não têm a inteligência requerida. Não quero ser cruel aqui, mas minha opinião atual é que apenas um 10% ou 15% das pessoas têm capacidade para estudos de alto nível. E esse foi o pensamento ao longo da maioria da História: o estudo universitário sempre foi reservado para membros da elite, o resto estava muito bem com um curso técnico ou já começando a trabalhar como aprendiz. E não há nada de errado nisso! Pode até ser melhor do que ser um taxista ou uma prostituta com diploma. Nos EUA, hoje em dia, um encanador muitas vezes ganha mais do que um idiota que passou quatro anos estudando Ciências Sociais e agora tem uma colossal dívida pelo empréstimo que recebeu para pagar os estudos e não tem nenhum emprego decente. Onde enfiar o canudo?
A ideia de "universidade para todos", em teoria garantindo o acesso de todos à educação superior e a um trabalho melhor pago, na prática não faz mais do que piorar a qualidade do ensino, pois baixa-se tudo para o mínimo denominador comum. Tenho visto pessoas em prestigiosas universidades americanas que mal sabem escrever! Imaginem então o nível nas universidades latino-americanas… O paradoxo é que, quanto mais pessoas formadas há, menos trabalho se encontra...
Mas enfim, a verdade é que eu também sou inútil e improdutivo, e perco meu tempo com esta porcaria de blog… Se eu tivesse estudado física quântica, hoje seria provavelmente seria um gênio! Afinal, todos sabem que qualquer um pode ser um Einstein ou um Newton, basta estudar...

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