Hoje resolvi alugar um carro e levar a família para conhecer alguns pontos turísticos capixabas. A decisão foi em cima da hora e acabei alugando um Doblô na Localiza. Qual não foi minha surpresa quando no processo de retirada do veículo a atendente passou uma pré-autorização de R$ 1.700,00 no meu cartão de crédito. Uma pré-autorização bloqueia o seu crédito no mesmo valor.
Eu automaticamente pensei em duas hipóteses:
a) Suponha que eu não tivesse esse crédito. Eu não podeira alugar um carro cuja diária era R$ 132,00? É essa a política da empresa?
b) Suponha que eu tivesse alugado o Doblô pra comprar uma TV e no momento de comprar a TV com o cartão de crédito a autorização tivesse sido negada, como eu ficaria?
Eu não sou inocente, guardei o recibo da pré-autorização. Eu só não tinha certeza se a pré-autorização bloqueava o meu crédito, e isso não foi informado pela atendente.
Quem já alugou carros no exterior sabe que passar o cartão antes do cliente sair com o carro é prática comum. O valor, entretanto, é o que assombra. Nos EUA, o valor é exatamente o valor da diária mais seguros. Jamais um valor desproporcional como este.
Voltei para devolver o carro algumas horas depois e perguntei sobre o valor. A moça do atendimento me informou que o valor pré-aprovado é 7 vezes o valor da diária. Acho que ela faltou a aula de matemática, ou esta não é a política da empresa. Argumentei que não havia sido informado que o crédito ficava bloqueado durante o período em que o carro estava alugado, e ela me respondeu dizendo que "o Sr. não está acostumado, mas esta é a prática da empresa". Óbvio que não estou acostumado. É a primeira vez que alugo um carro no Brasil e deveria ter sido informado.
Na verdade, não é só a Localiza que faz isso.
Leiam esse caso com a locadora de veículos AVIS.
Por que a pré-autorização é feita em um valor que é mais de 10 vezes o valor da diária?
A resposta óbvia é a seguinte, você está alugando um bem de alto valor, logo a pré-autorização é uma forma da empresa se proteger parcialmente caso você roube ou furte o veículo.
Essa resposta não faz sentido nenhum. O risco do negócio ja deveira estar no preço da diária. É assim em qualquer país civilizado e em qualquer ramo de atividade. Qualquer negócio de aluguel pode requerer um valor, mas este valor tem que ser proporcional ao serviço que está sendo contratado e não ao valor do bem.
É exatamente isso que diz o manual da CIELO: "Ao realizar uma pré-autorização, os estabelecimentos tem a segurança e a garantia do recebimento dos serviços de locação de veículo."
Mais do que isso, se eu roubasse o carro, a Localiza tinha todos os meus dados e cópia da minha CNH. Ela poderia me processar facilmente. Sem levar em conta o fato que ela pode comprar seguro contra esse tipo de perda.
No Brasil, as empresas usam práticas abusivas no tratamento de seus clientes e ninguém reclama, o camarada vai lá e deixa o crédito trancado e nem percebe o custo disso (em forma de custo de oportunidade). As pessoas já entubam esse Custo Brasil e nem reclamam mais.
Vejam a lógica do negócio. Como temos muitos roubos e furtos de veículos, então jogamos a pré-autorização na lua pra discriminar a clientela. Na verdade, a prática mais honesta e ética seria fazer uma pré-autorização igual ao valor devido pelo serviço e aumentar o preço do aluguel.
Esse tipo de prática é a cara do Brasil, temos que aguentar todos os tipos de abusos pois falta regulação de mercado e as pessoas já se acostumaram a serem tratadas como potencias ladrões. Esse sim é um Custo Brasil bem brasileiro.
Alugar carro na Localiza? Nunca mais.

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