Curioso o alarido histérico de
parte da imprensa em torno do senador pelo DEM, Demóstenes Torres. Não que os
pecados dele devam ser jogados debaixo do pano. Todavia, o pecado maior não foi
o de ser amigo de um delinquente vulgar como um bicheiro de caça-níqueis. O
pecado maior mesmo foi de não ter sido amigo de delinquentes bem maiores. E, lembremos,
delinquentes maiores de esquerda. Alguém supera o PT neste ínterim? Duvido. As
safadezas do governo Lula e Dilma são coisas de crime organizado, perto das delinquências
menores de pivete de Demóstenes. Lula e Dilma podem ser amigos do tiranete Hugo
Chavez, do narcotraficante Evo Morales, dos terroristas das Farcs, do fanático
islâmico Armadinejah ou do jurássico stalinista do Caribe, Fidel Castro. Ou bem
menos, podem ser amiguinhos de Zé Dirceu e Marcos Valério. Mas na imprensa, o
resto é só silêncio. . .
Quase sempre desconfio de marchas
contra a corrupção. Porque no final das contas, por trás de tais moralismos,
sempre há um corrupto acusando o outro. Neste caso particular, os petistas se
promoveram justamente com a tal “ética na política”, criando dossiês e fábrica
de espionagem na vida privada alheia, parasitando os podres alheios, enquanto
escondiam os seus. Criaram uma ética de delação generalizada, digna dos piores
esquemas de patrulhamento soviético.
E foi assim que movimentaram uma turba
estudantil de moleques analfabetos funcionais de cara pintada, para fazer coro
à derrubada do ex-presidente Collor de Mello. Essa mesma juventude cretina e
ignorante, que cospe na cara de inermes velhinhos militares da reserva de
pijama, para bajular a memória de terroristas, assaltantes de bancos e
assassinos comunistas.
E concomitante a isso, o PT nos
brindou com o mais ardiloso esquema de corrupção que a república jamais presenciou
em sua história, o mensalão. Isto porque o esquema petista foi apenas a ponta
do iceberg de um completo e descarado aparelhamento do Estado pelo partido. A imprensa, com algumas exceções notáveis, foi
condescendente com as falcatruas monumentais do governo. Aliás, foi por causa
dela (além da covardia da oposição), que Lula conseguiu se reeleger e ainda
colocar sucessora, um poste chamado Dilma.
Foi diferente com Demóstenes? A
polícia federal agiu como a KGB, quebrando a sua privacidade, sem qualquer
reserva legal. E O STF, omisso, quase arquivando na gaveta o processo das
falcatruas petistas, foi rápido no ataque ao senador. Quebrou seu sigilo
bancário e concluiu a destruição de sua reputação.
Surpreendente foi o
posicionamento do DEM com relação a Demóstenes. O seu partido pediu sua cabeça e a deu de
bandeja para os inimigos. Talvez o problema dos democratas é que seu espírito
de máfia é fraco demais ou talvez ainda sobre uma certa aparência de decoro
público. Decoro, inclusive, com o próprio governo, já que a oposição demonstra
uma apática e infame covardia. Lula foi bem mais blindado pelos seus acólitos
do partido, quando cinicamente dizia que o mensalão não existia e que não sabia
de nada. Ou será que alguém acredita que o ex-presidente, com seu entourage
todo envolvido com a bandalheira mensaleira, e com José Dirceu cassado, não
sabia de nada mesmo? Nem precisava de uma gravação para derrubar o
ex-presidente. Bastava o Congresso ter vergonha na cara, e acabaria com a
carreira do PT. Ultimamente, porém, o Congresso prefere cassar ladrões de
galinha ou batedores de carteira.
Não me iludo com políticos como
Demóstenes. Foi um grande estrago para uma oposição cada vez mais
insignificante no universo político. O mal de políticos como ele é ignorar que
não se está mais numa realidade democrática elementar. Daí ter sido espionado e
massacrado com relativa facilidade. Por isso, não me surpreendente mais a
desproporção do caso. Dentro de uma república cada vez mais anômala no
cumprimento da legalidade, o pecado maior do senador foi não ter sido petista. Ou
melhor, ter sido opositor do governo. Claro está que aos amigos tudo, aos
inimigos, a lei. E o jugo da lei está nas mãos do PT.
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